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Alemanha

A Chanceler Federal

 

Angela Merkel exerce seu segundo mandato. A filha de pastor protestante na ex-Alemanha Oriental lidera a coalizão entre os partidos da União Democrata-Cristã e União Social-Cristã com o Partido Liberal Democrático.

 

A democrata-cristã Angela Merkel foi reeleita à chefia de governo da Alemanha em 28 de outubro de 2009, com 323 dos votos, o que corresponde a 52,8% dos 612 entregues em procedimento sigiloso. Houve quatro abstenções entre os deputados do Bundestag (câmara baixa do Parlamento).

Como o 17º Parlamento federal alemão tem 622 deputados, dos quais 332 pertencem à coligação governamental conservadora cristã-liberal (CDU/CSU/-FDP), pelo menos nove deputados das alas do novo governo negaram o voto a Merkel.

Ela é a primeira chanceler federal na história da República Federal da Alemanha (RFA) a governar com diferentes parceiros de coalizão. No governo anterior, Merkel esteve à frente da coalizão com o Partido Social Democrata (SPD).

Obstáculos iniciais

Primeira mulher na chefia de governo na Alemanha, ela fora eleita pela primeira vez em 22 de novembro de 2005, então com 397 de 611 votos. O fato de ter crescido na ex-Alemanha Oriental e coroar desta maneira sua fulminante carreira política reforça o fato de ser um fenômeno na história alemã recente.

A aventura da União Democrata Cristã (CDU) com Merkel começou no ano 2000, quando o partido enfrentava a pior crise de sua história, decorrente de um escândalo de corrupção e financiamento obscuro da legenda. Nas eleições de 2002, a líder da CDU cedeu a candidatura ao cargo de chanceler federal a Edmund Stoiber, governador da Baviera e presidente da aliada União Social Cristã (CSU).

Stoiber perdeu o pleito por estreita margem de votos para Gerhard Schröder, candidato do SPD em coalizão com o Partido Verde. A derrota dos social-democratas nas eleições estaduais na Renânia do Norte-Vestfália, em maio de 2005, e a moção de confiança solicitada por Schröder no Parlamento representaram nova chance para Merkel.

Antes de ser nomeada candidata à chefia de governo, ela enfrentou resistência dentro do próprio partido. Críticos afirmavam faltarem-lhe os atributos que, de acordo com estereótipos propagados no país, caracterizam um líder político bem-sucedido: o tempo de aprendizado na ala jovem do partido, uma forte rede de relações, poder incontestável dentro da legenda e, sobretudo, elegância no relacionamento com a mídia.

Carreira fulminante

Filha de pastor luterano, Angela Dorothea Merkel nasceu em 17 de julho de 1954 em Hamburgo, mas cresceu em Templin, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (leste do país). Estudou Física em Leipzig, onde trabalhou na Academia das Ciências e fez doutorado.

Subiu ao palco da política somente após a derrocada do comunismo, em 1989, como porta-voz do primeiro governo democrático da República Democrática Alemã (RDA): Assim se iniciava uma carreira fulminante.

Angela Merkel, nascida Kastner, é separada do primeiro marido e casada com o professor de Química Joachim Sauer. Protestante e sem filhos, ela nunca se encaixou no perfil da "velha CDU", dominada por homens católicos do Oeste alemão e de raiz conservadora.

A "menina de Kohl"

O então chanceler federal Helmut Kohl entregou-lhe o Ministério da Família, Idosos, Mulheres e Juventude, e mais tarde, o do Meio Ambiente, entre 1991 e 1998. A imprensa rotulou-a "menina de Kohl", insinuando que devia seus postos exclusivamente à proteção do então chefe de governo.

O sucessor de Kohl na presidência da CDU, Wolfgang Schäuble, a indicou para o cargo de secretária-geral do partido. Após o escândalo de doações ao partido, Merkel foi escolhida para reerguer a CDU.

Muitas das velhas e novas raposas do partido imaginavam que seria fácil livrar-se dela, depois que tivesse feito o trabalho de faxina. Merkel, porém, firmou-se no comando da legenda. Foi a primeira a se distanciar claramente das maracutaias de Kohl e, mais tarde, até conseguiu se reconciliar com o ex-líder democrata-cristão.

"Não devemos ocultar que a Europa é profundamente marcada pela tradição judaico-cristã. Em grande parte, a Europa passou pelo Iluminismo. Isso foi uma fase importantíssima também no desenvolvimento do Cristianismo", diz.

A derrota de Stoiber para Schröder em 2002 acabou fortalecendo Merkel, que passou a acumular a presidência de seu partido e a liderança da bancada conjunta da CDU/CSU no Bundestag. Seus concorrentes tiveram de reconhecer que a "menina de Kohl" é extremamente autoconfiante e decidida no jogo do poder.

Todos os chanceleres federais alemães do pós-guerra

  • 1949–1963 – Konrad Adenauer (CDU)
  • 1963–1966 – Ludwig Erhard (CDU)
  • 1966–1969 – Kurt Georg Kiesinger (CDU)
  • 1969–1974 – Willy Brandt (SPD)
  • 1974–1982 – Helmut Schmidt (SPD)
  • 1982–1998 – Helmut Kohl (CDU)
  • 1998–2005 – Gerhard Schröder (SPD)
  • 2005– ? – Angela Merkel (CDU)

Atualizado em março de 2010

 
 

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